Ouvi o Alexandre ler esse texto hoje na rádio enquanto eu vinha pro trabalho. Vale a pena abrir esse espaço aqui no Babalu.
(por Alexandre Pelegi)
Hoje é dia do Professor, uma daquelas efemérides oficiais que acabou se transformando numa data quase sem vínculo afetivo algum. Afora as lembrancinhas e um feriado escolar quando o calendário ajuda, o que há para se reverenciar? O que temos feito para melhorar o ensino, além de construir salas de aula, mudar a grade curricular, inventar programas mirabolantes com siglas sonoras que jamais levam em conta a figura central do professor?
O professor é o principal agente libertador na ação educativa. Mas para agir como tal ele não pode se manter aprisionado na cadeia da ignorância e da desinformação. Para desempenhar a missão de semear as sementinhas da dúvida na cabeça de alunos e alunas, ele deve, antes de tudo, disseminar a falência da certeza, ao mesmo tempo em que estimula o saudável vício da desconfiança nas verdades pré-estabelecidas.
Um professor que confunde o ato de educar com o exercício da repetição não ensina, replica a dominação da burrice sobre a inteligência. É um burocrata, jamais um educador. Para ter direito ao título de professor ele tem de ser, por princípio, um perguntador; tem de gerar dúvidas, jamais plantar certezas; tem de conseguir vislumbrar que há outras maneiras de se ver o mundo além daquelas a que nos acomodamos e que, por isso mesmo, nos emburreceram.
Um professor tem de contrapor a indignação à resignação, o melhor ao mais ou menos, o alegre ao triste, pois não existe descoberta que não traga consigo a felicidade do novo, do conhecimento que brota de dentro das trevas da ignorância.
O professor será sempre um eterno aprendiz, revelando em suas atitudes, sem temor ou insegurança, que a constante mutação é prova vívida de que o ser humano pode, a cada dia, renascer melhor e mais crítico, porque ainda mais rebelde e ainda menos conformado.
A verdadeira educação, longe de treinar seres obedientes e acríticos, deve permitir o surgimento de pessoas que consigam se descobrir no mundo em que vivem e produzem. Enfim, para ser professor, é preciso também se tornar um crítico de seu tempo.