
Quando cheguei no refeitório senti o papo estava intenso.
No achei pensei que fosse uma brincadeira, um código… sei lá. Alguém tirando comigo porque “sou de outra cRasse” (pelas palavras deles).
- Então Binho (na Bahia todo mundo é: Binh(a)/Inho(a)/Liu/Coisinho(a)/Essiminino/essaminina) você tem que fazer milhar seco ou milhar com centena.
- Ahh é? Tem de cinquenta centavos
- É o mínimo mas dá pra apostar. Hoje eu tive um sonho muito forte que se sufocavam com um travesseiro. Tenho que jogar no pavão.
[eu] - ??????
- Ahh é? Vai na tua força que Sta Barbara te defende!
- Apoizé… Minha colega (ela tem mais de 40. Quarenta não é uma palavra mais própria pra meninas de colégio??) já fez a dezena do viado e pagou todo o piso da casa. Tuuudo do bom, daquele xadrezinho
[eu] - (dezena do viado? piso xadrez?)
- Que dezena do viado? Diga aí… que bicho q tem
[eu] - (ahhhhhhhhhh eles estão falando de jogo do bicho)
- Elefante, pavão, cabrito, cobra, viado…
[eu] - (pow… só os exóticos)
- ói… tô indo então fazer meu jogo e o seu. Vou jogar no seu bicho viu, coisinha.
E o meio da escada se ouve o grito de uma inimiga
- SAPA!
Então se fez o silêncio.




Daí que o dia da criança passou. O pesadelo dos shoppings superlotados só volta no Natal e a histeria dos palhaços mercenários de pirulitos e brinquedos bestas no pontos de ônibus também.




