Sobre a vida que é só minha

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Há 20 anos eu estava viajando “sozinho” pelo Sul da Bahia e às portas da maioridade tive uma revelação da importância de ter uma vida que fosse só minha, e não dos outros. Nos anos seguintes iniciei – até com sucesso – uma história pintada quase que do zero. Sem parentes importantes, sem muito histórico, quase passível de uma construção mirabolante onde eu era qualquer coisa menos o eu que tinha sido até ali. A emoção dos primeiros anos da juventude… vivi tudo sem arrependimentos.

Lógico que eu era um moleque e achava que a vida seria pra sempre uma aventura modo ‘turbo’, até o dia em que bati um papo muito franco com um senhor que me mandou baixar a bola. Bendita charla!

Essa vida que é só minha envolvia entender também a importância da vida dos outros, vidas essas que por mais excitantes, problemáticas, fracas ou mornas pertenciam aos outros e não a mim. Cada um, cada um rs.

Parece uma coisa tão boba (como todas as minhas reflexões por aqui) mas é saúde pra minha vida saber que até os momentos mais desesperadores dela pertencem mais a mim do que a qualquer outro. É ótimo ser acolhido, apoiado e encorajado pela vida de outros mas, essa vida tão procurada é de aventura e também de cinzas (muitos cinzas). A garra para viver qualquer uma das versões da história precisa ser a mesma.

Neste momento [meu] de gestação de um novo capítulo eu só queria repetir essa reflexão para o emu próprio coração ansioso-libriano-pilhado.

Lutar com garra pela minha vida.

 

 

 

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é sim que eu sei

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O texto que tava na ponta do enter pra publicar era um reflexão de ano novo estimulada por uma frase ouvida por um youtuber com indicações depressivas e cada vez mais suicidas. O texto tava longo e até muito revelador em tempos que tenho preferido cada vez mais poupar minha vida dos holofotes das internetes.

Preferi falar rapidin de AMOR. Uma coisa que muita gente acredita nunca poder experimentar plenamente ou, que se existe, vai atirar em alguém que não é você.

No caso, eu já sei o que é e, se for ainda maior do que eu já pude experimentar será mais louco ainda. Amor é sem dúvida a coisa que tirou meus olhos da tristeza de dois anos cheios de coisas ruins e aponta pra um futuro que eu não sinto nem o cheiro bom mas que me traz um conforto no coração.

Sem planos, sem páginas e páginas de rabiscos em planners, só desejo que quem me lê experimente ainda mais do amor no novo ano e que este seja um bom combustível pra encher de energia os nossos sonhos e projetos.

Volta e lê

Em 11 anos de postagem é claro que tem rascunho que sobra por aqui. Quando recebo alguma mensagem pedindo pra postar mais ou acho que tá cheidi teia de aranha por aqui (tipo agora), é quase inevitável recorrer à pasta onde tá cheio de começos e até meios.

Às vezes começo a ler alguns e o sentimento é quase sempre o mesmo: “Que bom que não postei/terminei!”. Às vezes porque no futuro aquilo diria muito pouco sobre mim ou, o tempo foi bom o suficiente pra me fazer repensar a ponto de ter muito evidente um jeito pra concluir aquela ideia.

O tempo tem disso que assoprar o que sobra ainda que alguns só acumulem com o passar dele.

Esses dias fui parar sem querer num video de alguém que conheci há quase 20 anos e que me encantava pelo amor pelo que fazia. Até onde pude acompanhar essa pessoa vi muitas coisas se transformarem ali. Nesse video ela fala com muita propriedade a partir de um lugar que nunca experimentou. É de uma polêmica que eu nem obrigado pensaria em me envolver. Na hora morri de medo e de vergonha das vezes que ensaiei fazer igual… ainda bem que certos rascunhos morrem na pasta.

É certo que não me orgulho de todas as coisas que já falei/escrevi mas, de algum modo, se não foi legal o tempo trata de ensinar a “lição”.

Vou curtir o silêncio porque de barulho já basta o que rola lá dentro da minha cabeça.

 

 

do zero

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Tenho pensado de uns tempos pra cá que não existe uma vida que “começa do zero”. Acredito em recomeços e ainda bem que eles existem mas, a gente sempre carrega um saldo de uma vida que levou.

De novo… nenhuma novidade. Reflexões com profundidade de um pires mas, como eu aprendi há 17 anos, quando a ficha cai vira REVELAÇÃO, por mais simples que seja.

Começar uma nova vida com sombras, pedaços e memórias anteriores tem um reflexo claro no novo início. Não dá pra fugir. Como que a gente administra esse começo que já teve uns rascunhos, umas marcas de lápis, umas pontas dobradas? A página em branco mais evidente que eu penso é no meu sobrinho que vai fazer 1 ano amanhã e apesar de recente já tem vários esboços da vida naquela historinha recente.

Às vezes a nossa mente dá esses bugs porque tenta em vão apagar essas marcas mas, cada novo começo vai carregar heranças. Se eu escrever mais dois parágrafos vou repetir a mesma coisa só que com outras palavras.

Por hoje é só. A vida nova é um mix de ontens e amanhãs.

Confortavelmente ferido

Perdi minha avó há 1 mês. A mulher mais forte da minha vida.

Outro dia, inspirado pelo insight de um sábio, comecei a pensar algumas coisas a partir de uma imagem dela. Após um acidente doméstico minha avó passou seus 3 anos finais confortável mas quase imóvel numa cama-leito. Apesar de todo cuidado para que aquele fosse o lugar mais seguro e tranquilo (e era) os ferimentos em decorrência na permanência na cama não a livraram de ferimentos. Ferimentos por ficar parada.

CATAPLAFT na minha mente. Vocês já sabem o que eu vou falar… sim, isso mesmo.

O mundo é mesmo perigoso mas o canto mais tranquilo da sua vida também pode ser seu comecinho do fim. Lembrei também de uma palestra que assisti ano passado que falaram como o ser humano mudou no uso/desuso de certos músculos do corpo. Algumas habilidades foram desenvolvidas e super exploradas (o trabalho minucioso dos dedos usar teclados cada vez menores x a ginástica para rodar uma maçaneta – isso quando ainda aparece uma maçaneta de rodar).

Chega uma hora em que o conforto começa a gerar atrofia. Ou o corpo está tão okay naquela posição serena porém sangrenta que não nota que pode nunca mais se reerguer. E quando eu digo corpo, podemos incluir  a cabeça e tudo o que passa dentro dela.

Às vezes, por sorte ou esforço, alguns mesmo imóveis fisicamente conseguem flanar por qualquer lugar pelo poder do que carrega dentro de si. O corpo físico não é necessariamente uma âncora afundada num golfo perdido. Outra vezes é preciso se mover e levar ele junto. Ainda não sei bem o que começa a atrofiar primeiro dentro da caminha do conforto: a mente ou o corpitcho?

Puxei também as histórias da Rita Lee (tô lendo a autobiografia da cantora >.<) e vejo ela como uma eterna fugitiva do leito do conforto. Ainda que seus métodos de procurar saídas não sejam tão ortodoxos mas ficar parada por minutos que fossem já geravam um engasgo mental.

Enfim… lá vai o sono e lá vem as pombas piando pruuuu na minha cabeça me chamando pra levantar.