coisa pouca não é bobagem

penso eu…

O fim do amor está nas coisas pequenas, sim.

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De repente você tenta enxergar quem um dia já foi o alvo dos seus olhos mais brilhantes mas, a montanha de miudezas acumuladas ao seu redor até o topo da cabeça, mesmo ciente  de seus graus de desimportância, entrega a carta que anuncia o fim que já aconteceu.

Tô falando de acúmulos. Não é que o amor não resiste a uma louça suja na pia ou a falta de um ‘bom dia’… não é isso. Alguns podem até pôr fim ao amor ao primeiro sinal de irritação. Tá no direito.

Tô falando daquilo que não saiu antes de uma faxina que levanta tudo do chão. Ou daquilo que poderia ser lavado assim que manchou. Era até mais rápido de recuperar… eu acho.

Coisa grande ocupa espaço e a gente dá logo um jeito de resolver. Ninguém quer um elefante fazendo malabares na sala de jantar. Nessas horas vale o tudo ou nada. O amor tá sempre no tudo ou nada… meio termo não é amor, é outra coisa.

Coisa grande a gente tira logo, tirando aquelas pessoas que fazem questão de não apenas mantê-la se agigantando (porque coisa grande só aumenta) como quebram as paredes pros limites alcançarem o público. Daí tá grande mesmo, quando o fim do amor tá na boca do povo e por uma ação de deliberada de promoção da situação desgraçada. Nessas horas eu não dou like nem carinha chorando. Tenho dó.

Coisa pequena vai entrando todo dia, tipo notificação de aniversário do feicestrago. Assim como  a poeira a gente deixa pra resolver quando já tiver um volume mas é sempre tão custoso brigar por coisa pequena.

Pior ainda é o esforço de, ao notar que o amor já foi, reconhecer e resolver cada grãozinho de coisa pequena que foi entrando e entalando o tubo do amor. A gente sabe que foi coisa pouca mas a gente não tem mais pique  pra acreditar que dá pra limpar canto por canto.

O amor não resiste a coisa pouca quando é tanta coisa pouca.

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Quem vai dizer tchau | Nando Reis

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Um fogão novo e eu

Depois de uma semana fazendo praticamente TODAS as refeições na rua o fogão finalmente chegou na nova casa.

No dia seguinte da entrega assisti Toast: A História de uma criança faminta, a adaptação cinematográfica da autobiografia do chef de cozinha e escrito Nigel Slater. Criado num ambiente em que a cozinha era um lugar sem nenhum atrativo – a mãe, de saúde bem fraquinha, criou o menino à base de enlatados aquecidos ainda fechados numa panela  e ZERO frutas/legumes/verduras – o garoto sonha acordado com uma vida em que possa comer comidas frescas e/ou preparadas como em qualquer outra casa de seus colegas de escola. A morte da mãe e  a chegada de uma faxineira que ganha o posto de madrasta às custas de excelentes golpes de culinária o leva a travar um batalha contra a “intrusa” usando a cozinha como front.

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O filme é super levinho, sessão da tarde,  mas quando terminei de assistir olhei pro fogão novo e prometi que eu aprenderia a lidar com ele… questão de sobrevivência.

Eu nunca fui bom de cozinha. Mesmo já adulto e morando longe de casa sempre tinha um refeitório coletivo ou um restaurante baratinho pra salvar os não-iniciados na arte de mexer panelas, como eu. Me arriscava uma vez ou outra em algum preparo (especialmente os doces e as saladas) mas encarar aquilo como hábito já me dava uma dor de preguiça… aquela que dói mais.

Tal foi o milagre operado pelo Santo Netflix que através daquela película inglesa me jogou de cara e coragem os próximos dias naquele mundo de temperos, tábuas, facas (tô com as mãos todas cortadas ou espetadas), receitas, olho mágico pra calcular medidas e paladar pra testar o sal.

Não sei explicar mas venci… tenho testemunhas.

 

It´s complicated

Como que a gente explica algumas questões da vida?

Coincidência ou não, nas séries [Chewing Gum,  13 Reasons Why, Dear White People e Sense 8] que assisti no último mês e meio,  alguém (ou vários ‘alguéns’) tentavam contar ou fugir de alguma explicação da vida com um “É complicado”.

Libriano nato, dramático por natureza, dificultar as coisas faz parte do nosso jeitinho meigo. Pensei o quanto essa frase, em vários momentos definitivos da minha vida, me impediam de encarar as situações sem mimimi. Das coisas que me chamam atenção no comportamento dos ingleses que eu conheço é a importância que eles dão para as explicações claras. A gente é meio Lulu Santos e deixa assim ficar subentendido mas às vezes é preciso falar coisa por coisa, caçar lá na raiz as soluções e os problemas, encarar chutando a desculpa. Essa exteriorização –  que pode ser um papo, uma escrita, uma gravação, sei lá – já é meio caminho pra minimizar a tensão de resolver e andar pra frente com menos medo.

Aproveitando o momento favorável (a história é longa, rs) tô tomando a liçãozinha dos ingleses pra mim. De quebra, revi as cenas das séries em que os personagens saíram pela tangente e tentei imaginar uma resposta… treinando, né mores?! Tô cheidi dica pra Sam, Tracey, Clay e Lito mas por hora deixa eu ir ali porque explicações me chamam.

No frio e no calor

Be Bra1340231274024311.jpgve!

“- Às vezes a gente precisa chegar num ponto extremo pra sentir o vento frio que passa nesse despenhadeiro. Deixar aquele pavor subir da ponta dos pés aos cabelos e entender que viver é estar sempre pronto a romper alguma estrada, mesmo que seja um caminho repetido. Sabe quando o machucado já sarou mas aquela casquinha tá ali e você só não arranca com medo de sangrar de novo? Puxa logo essa p&rr*! Quando você tirou aquele cisto enorme no dia seguinte já tava galopando pela fazenda de novo como há tempos não fazia. Deixa de medo! Eu queria poder soprar coragem no seu nariz. Inflar seu peito de força e ar quente pra você encher que nem um boneco de posto. Grande. Empinado. Com esse casaco você fica parecendo um urso polar. Se eu for aí for arrancar isso e você vai ser obrigado e sentir o calor que tá fazendo aqui. Calor faz bem, cozinha as coisas. Comida crua só salada. Tira isso vai. Sente o frio também. Tem gente que só desperta com choque.”

offline

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Tenho usado cada vez menos o facebook e isso só me tem feito bem. Receita pessoal. Cada um sabe qual é a dosagem ideal para cada coisa que consome.

Um cara que admiro e que está passando por um período especial de mudanças e dificuldades comentou que a ausência nessa que é uma das maiores redes sociais do planeta só lhe fez bem. O ~feice~ tem se tornado um potencializador de uma ânsia que só f***. Nós dois, enquanto refletíamos, pensávamos como o uso do facebook nos deixa angustiados – seja lá pelo motivo que for. Nós irritamos com as discussões, nos decepcionamos com “surpresas” que chegam por lá, vamos perdendo cada vez mais a coragem de expressar qualquer coisa que seja já imaginando os feedbacks, os likes, carinhas irritadas ou até a falta das reações.

Não vou negar o quanto que o FB colaborou para manutenção de vínculos importantes (aqueles que não vivem à base de curtir/compartilhar), para trazer agilidade para o trabalho e para o estudo entre outras coisas. Eu, por exemplo, agradeço quando o ~feice~me lembra um aniversário ou um evento.

Estou em processo de superação da F.O.M.O e espero poder em breve poder lidar melhor com o facebook mas, por hora… offline.