Virei Meme

TOPO_VM2.pngAlguns já sabem que nos últimos anos comecei a pesquisar com um pouco mais de atenção as questões da cibercultura e os fenômenos da internet, em especial os MEMES DA INTERNET.

Comecei um blog como parte do projeto de pesquisa da dissertação que está a caminho e por lá tô tentando falar (e pensar) um tiquin sobre os temas de um jeito simples.
Se quiser acompanhar, sugerir assuntos ou se unir na coleta de informações é só chegar.

https://vireiummeme.wordpress.com/

Um fogão novo e eu

Depois de uma semana fazendo praticamente TODAS as refeições na rua o fogão finalmente chegou na nova casa.

No dia seguinte da entrega assisti Toast: A História de uma criança faminta, a adaptação cinematográfica da autobiografia do chef de cozinha e escrito Nigel Slater. Criado num ambiente em que a cozinha era um lugar sem nenhum atrativo – a mãe, de saúde bem fraquinha, criou o menino à base de enlatados aquecidos ainda fechados numa panela  e ZERO frutas/legumes/verduras – o garoto sonha acordado com uma vida em que possa comer comidas frescas e/ou preparadas como em qualquer outra casa de seus colegas de escola. A morte da mãe e  a chegada de uma faxineira que ganha o posto de madrasta às custas de excelentes golpes de culinária o leva a travar um batalha contra a “intrusa” usando a cozinha como front.

toast

O filme é super levinho, sessão da tarde,  mas quando terminei de assistir olhei pro fogão novo e prometi que eu aprenderia a lidar com ele… questão de sobrevivência.

Eu nunca fui bom de cozinha. Mesmo já adulto e morando longe de casa sempre tinha um refeitório coletivo ou um restaurante baratinho pra salvar os não-iniciados na arte de mexer panelas, como eu. Me arriscava uma vez ou outra em algum preparo (especialmente os doces e as saladas) mas encarar aquilo como hábito já me dava uma dor de preguiça… aquela que dói mais.

Tal foi o milagre operado pelo Santo Netflix que através daquela película inglesa me jogou de cara e coragem os próximos dias naquele mundo de temperos, tábuas, facas (tô com as mãos todas cortadas ou espetadas), receitas, olho mágico pra calcular medidas e paladar pra testar o sal.

Não sei explicar mas venci… tenho testemunhas.

 

dispensa o que transborda

californianbeautifulcars-0-900x734

A gente insiste no desejo de abraçar o mundo. Não sei bem se isso é um defeito incorrigível ou uma bonita maneira de reconhecer a enormidade de universos que há para explorar. De toda forma, é inviável. Seja uma vontade infantil dos eternos insatisfeitos com o que possuem ou uma admirável tentativa de não sucumbir à mesmice, não deixa de ser inútil. Não temos braços e fôlego para abarcar a totalidade do que nos falta mantendo, ao mesmo tempo, o que nos sobra. Resta, então, a dura e inevitável escolha. Abrir mão de algumas coisas para conquistar outras… Aceitar que renunciar é, sobretudo, liberar espaço para novos caminhos.

Funciona com armários e com a vida. Chega uma hora que não cabe mais. A gente tenta fazer puxadinho, apertar, comprimir, guardar o excesso embaixo da cama ou no fundo do peito. Mais cedo ou mais tarde, porém, é preciso admitir que a solução é dispensar o que transborda. Vai doer dizer adeus ao sapato de estimação da década passada e aos vícios emocionais já internalizados como parte fundamental do que somos. Mas apenas por pouco tempo, até que as lacunas sejam preenchidas pela novidade que aguardava ansiosa para revigorar o que estava coberto de teias e mofo.

É um exercício de maturidade acatar a ideia de que não se pode ter tudo. Somos sonhadores marrentos que querem a tranquilidade do campo e a modernidade das grandes cidades, estabilidade e aventura, amores fieis e romances múltiplos, corpos sarados e bacon crocante. Queremos a adrenalina das descobertas do que é diferente e a segurança do que é familiar. Banho de chuva sem tosse, liberdade e posse, morar em mil países e ter a família por perto. Queremos o sapato novo e o velho (mesmo que esquecido no canto do armário abarrotado). Almejamos uma realidade pincelada pela ilusão de que dá para somar sem subtrair.
É possível, sem dúvida, equilibrar doses de muitos sabores e experimentar variadas sensações. Não estamos fadados a seguir direções maniqueístas. Podemos compor a trajetória com diversidade, num mosaico de possibilidades. Mas não sem perder um bocado de nós pelo percurso. À medida que avançamos, deixamos para trás pedaços do que um dia foi precioso. É o necessário ciclo de perdas e ganhos nos mostrando que, entre prazeres e êxitos adquiridos, algo de bom será sacrificado.

Parece uma lógica um pouco cruel essa que contraria nossa expectativa de guardar em um baú tudo aquilo que nos faz bem sem nos desprendermos de nada. E, paralelamente a isso, acumular o que está por vir. Talvez porque, desde muito cedo, apesar de apegados ao que conquistamos, nos condicionamos a desejar aquilo que está ausente, muito mais do que a saborear o que concretamente já é nosso (aquele comportamento platônico que bem conhecemos). E aí começa essa batalha louca e intensa que consiste na alternância entre abrir-se para receber o mundo que falta e fechar-se para não perder o mundo que há. Mas como já sabemos, não dá para ter tudo… Estamos presos à engrenagem que nos rege movida pelo peso das renúncias aliviado por recompensas posteriores.

(Larissa Bittar)

do zero

arytron3

Tenho pensado de uns tempos pra cá que não existe uma vida que “começa do zero”. Acredito em recomeços e ainda bem que eles existem mas, a gente sempre carrega um saldo de uma vida que levou.

De novo… nenhuma novidade. Reflexões com profundidade de um pires mas, como eu aprendi há 17 anos, quando a ficha cai vira REVELAÇÃO, por mais simples que seja.

Começar uma nova vida com sombras, pedaços e memórias anteriores tem um reflexo claro no novo início. Não dá pra fugir. Como que a gente administra esse começo que já teve uns rascunhos, umas marcas de lápis, umas pontas dobradas? A página em branco mais evidente que eu penso é no meu sobrinho que vai fazer 1 ano amanhã e apesar de recente já tem vários esboços da vida naquela historinha recente.

Às vezes a nossa mente dá esses bugs porque tenta em vão apagar essas marcas mas, cada novo começo vai carregar heranças. Se eu escrever mais dois parágrafos vou repetir a mesma coisa só que com outras palavras.

Por hoje é só. A vida nova é um mix de ontens e amanhãs.

dos contratos que estabelecemos

Talvez por conta de quase um ano e meio estudando/orientando reflexões sobre cultura tive que ir desnaturalizando o meu olhar pra várias coisas que sempre tiveram modelos ~fixos~ na cabeça de um adulto que não nasceu na era do digital.

Tem sido um exercício interessante reconhecer a legitimidade de certos lugares de fala e deslocar o olhar que sempre apontava pro umbigo.

Entre tanto assuntos estava a questão dos relacionamentos e como que as pessoas se resolvem com seus parceiros. Não que este assunto – que sempre julguei ser do universo privado – precise ser problematizado numa palanque mas, como dizia Caetano:

“Todo mundo quer saber com quem você se deita… nada pode prosperar”.

No fim do ano a internet “quebrou” com o anúncio do fim do Cajout e uma justificativa ainda desnecessária dos porquês. Se um casal termina um relacionamento o problema (ou solução) é deles.

Daí hoje a Jout Jout voltou a trazer o tema do tal relacionamento aberto.

Desta vez o foco estava menos na história dela com o Caio e sim no que as pessoas consideram na hora de se aproximar/repelir. Com o bom humor de sempre ela utiliza até as reações dos seus inscritos para debater a quem mesmo interessa um relacionamento senão aos próprios envolvidos. Outra coisa diz respeito aos contratos. Talvez a palavra soe estranha num contexto  de amor mas, todas as relações são contratos. No caso deles, o contrato de fidelidade incluía nunca assistir Netflix com “os terceiros”. Mais uma vez… o sexo não é o centro do acordo.

Mesmo para quem vive um relacionamento monogâmico e feliz 🙂 é importante ouvir com respeito a consideração que outra pessoa tem com relação à vida. Não se trata de uma militância pelo fim dos relacionamentos a dois, pela destruição da moralidade, pelo direito da V1D@ L0Ka. Na verdade eu, que não tenho nada a ver com o que a JoutJout faz da vida, olho pras histórias que eles contaram e vejo muita saúde na relação. Deve ter sido muito bom para os dois e isto é mais do que suficiente.

Bora levantar

Ainda falando sobre perseverança e imagem/memória.

75bvkkz

Deve ter uns 2 anos que fui num desses shows que a Daniela Mercury faz no primeiro dia do ano. Desta vez tinha sido na região do comércio de Salvador, bem no pé do Elevador Lacerda – apesar do policiamento um lugar não tão seguro para se estar curtindo um show de bowas.

Prevendo tumultos, assisti a uma distância “segura” mais ou menos perto de onde já dava pra sentar e comer/beber alguma coisa.

Lá pelo fim do show, aparece um garoto todo arranhado, com uns rasgos na roupa… meio sangrando. Sentou ali no chão e tava contando que foi procurar um lugar pra mijar e uns assaltantes bateram nele após tomarem seu telefone e relógio. Tava lá, largado, “lambendo a ferida” no meio de uma festa. Seus amigos chegaram – tipo cinco ou seis – ouviram a história e estavam tentando animar o coitado. Daí uma bee colega, já agoniada fala:

– Levanta que vai tocar Maimbê!

Puxou o menino pelo braço e correu de volta pro fervo.

Fim.

Explicando… essa música costuma ser um desses momentos de êxtase do show. Ninguém quer perder  Maimbê e os amigos, juntos no começo do ano, não deixariam nada roubar aquele momento. Nem um assalto ou esfolamento de joelho.

Filmei aquela cena com a minha memória e isso se tornou meio um meme entre alguns próximos. Hoje a gente usa essa frase assim como alguns costumavam cantar Volta por Cima (Reconhece a queda e não desanima. Levanta, sacode a poeira e dá a volta pro cima) para amigos tristinhos.

A ordem é a mesma… bora levantar!