Brokeback Mountain 2.0 | Call me by your name

 

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Eu não costumo me guiar muito pelo Oscar e, geralmente quando assisto algum filme indicado ou vencedor questiono a escolha (coisa de libriano). Curiosamente, antes da divulgação dos indicados deste ano eu já tinha visto alguns dos muitos cotados (A Forma da Água, Dunkirk, Viva, Logan e Trama Fantasma).

Cheguei em Call me Your Name pelo buzz das redes sociais e pelo lance lá do pêssego (que eu nem achei tão polêmico assim) no meio de janeiro.

Não vou me estender muito em apresentações porque a internet – até pelo tempo que esse filme foi lançado –  já se comprometeu a esgotar o assunto mas, o filme é uma adaptação de livro de mesmo nome que fala sobre a história de um romance de verão entre um garoto de 17 anos e um cara um tiquin mais velho numa cidade de praia na Itália nos anos 80. O garoto (Elio) fluente em vários idiomas, filho de intelectuais tem a incumbência de ser o anfitrião do Oliver, americano bolsista e orientando de seu pai e um bon vivant.

O filme tem uma fotografia linda e um direção de arte primorosa. Em tempos atuais, onde estamos sempre com os olhos nos black mirros, a história dificilmente de desenvolveria mas o que rola no filme usa o tempo e a preguiça desse verão regado a muitos banhos de sol e de rio, passeio de bicicletas e leituras de livros em meio à pomares pra tentar mergulhar o espectador sem pressa nessa viagem de conhecer e se apaixonar por alguém (sem stalkear).

Talvez o filme fosse construído pra galera, assim como o Elio, se apaixonar pelo Oliver mas o personagem mais rico é na verdade o adolescente que, sem medo, testa os limites de uma coisa que ele nunca tinha sentido.

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Um amigo, eu sua reflexão no twitter, relacionou o filme a outro clássico moderno das histórias de romance LGBTQxyz, O Segredo de Brokeback Mountain (USA, 2005) por conta do desfecho (spoiler alert mas nem tão spoiler assim). O que se vê é um garoto vivendo a plenitude da sua juventude  e, inclusive, levando uma questão para o público sobre quem na verdade era o detentor de tanta maturidade pra encarar um relacionamento homossexual  em 1983.

Uma das últimas cenas, o diálogo de Elio com seu pai, talvez seja o que faz o filme valer a pena o ticket (apesar de que assisti por streaming, rs) e o que pode ter garantido ao jovem Timothée Chalamet a indicação pro prêmio mais importante do cinema por sua atuação.

Call Me By Your Name é um filme sobre descoberta da paixão, sobre coragem e sobre histórias de ainda que se concluam ficam pra sempre na memória.

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O amor – essa coisa louca | The end of the f***ing world

Hello alguém!

Tem um tempinho que não faço review de nada do que estou assistindo ou lendo mas, depois de alguns incentivos recebidos no último post decidi falar de algumas coisinhas, a começar por algumas séries.

Tinha comentado que contaria minha experiência com Jango – Uma Tragedya mas, acho que feriria alguns queridos conhecidos que estão no elenco então… vamos só de série, tá meubêin?!

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Galera já sabe que eu amo série curta (de episódios e de duração de episódios) então tal foi minha alegria quando  achei The End Of The F***ing World – estreia recente da Netflix mas de produção do Channel 4/UK – Oito episódios com média de 19 minutos cada. 😊

Tanto o trailer quanto o release apresentam a série como uma história juvenil de um garoto que se considera psicopata e uma adolescente “tirada a retada” e sua tentativa de matá-la a sangue frio. Raso… bem raso.

No fundo é uma história sobre: identidade, liberdade, traumas infantis, primeiro amor e algumas constatações reveladoras que só começam a acontecer quando se experimenta o comecinho da vida adulta.

A série é inglesa e o humor também. Nada de risinho frouxo, humor físico nem estereótipos de adolescentes. A sutileza na construção das duas personagens principais e as atuações dos protagonistas me fizeram emendar os episódios e sentir como se eu tivesse visto um filme ( a duração é praticamente a mesma).

O James está às portas de completar 18 anos. Viu a mãe se suicidar aos 11, tem paixão por matar animais e planeja matar uma “coisa maior” depois de tantos testes. Se diz insensível a qualquer sentimento e ainda criança meteu a mão numa fritadeira quente para pelo menos tentar entender o que seria dor. Seu pai é cuidadoso e oculta a falta que a esposa faz tentando ser excessivamente positivo e companheiro.

Alyssa é um fantasma em casa. Seu pai saiu de casa também quando tinha 3 anos e sua mãe vive pro marido novo (que hostiliza a menina) e os gêmeos. Se James fala nada ela fala por ele e por mais 20 pessoas. É um tiquin ninfomaníaca mas é virgem.

Como parte do plano para matar Alyssa, James começa um “namoro” que os conduz numa fuga da pequena cidade onde vivem invisíveis. Nessa viagem eles se tornam uma espécie adolescente de Bonny&Clyde e, sem querer querendo, começam a perceber o valor da presença um do outro.

Eles acabam se envolvendo num crime que põe fim ao propósito de James e que revela outras camadas da história desconhecidas até por eles mesmos. O momento em que o garoto SENTE a dor e o amor após Alyssa abandoná-lo num bar é uma das horas mais ricas da série. Tem coisa que só faz sentido mesmo quando a gente sente.

O fim (aberto para possibilidade de renovação de temporada) já coloca o casal numa nova condição, até mais madura, após dois importantes eventos.

Em termos técnicos, a edição deixa os episódios cheios de ganchos pra ninguém querer desligar. A direção de arte deixa as cores meio ~Pulp Fiction~ e as locações são certeiras pra dar o clima de que são só os dois e o mundo.

Enfim, minha dica de leveza em tempos de tanta nuvem de temporal de notícia ruim.

The End of The F***ing World

Black Mirror nosso de cada dia

SPOILER ALERT: este post vai ser beeem confuso1397154022_pawel-l2

Eu, assim como outros alguéns, usei os últimos dias do ano velho para assistir a 4ª temporada de Black Mirror. Na mesma época ganhei o livro Sociedade da Transparência, do filósofo Byung-Chul Ha. Só daí dá pra entender porque ando cada vez mais distante das redes… ou quase (se é que alguém se desconecta).

Sem me deter muito na análise dos episódios existe um tema que caminhou por quase toda a temporada: CONSCIÊNCIA. E se a gente pudesse ver através de outra pessoa? E se outra pessoa pudesse ver através de mim? E se eu pudesse acessar sem nenhum bloqueio a memória de outra pessoa? E se houvesse uma copia digital da minha consciência à disposição de outra pessoa para jogos etc? E se através de um protocolo cartesiano de análise da minha consciência (sem considerar a alma) eu pudesse achar o “match da minha vida” sem precisar de esforço algum de conquista?

Logo no ep. 2, em que uma mãe usa uma babá eletrônica ligada a um chip instalado na cabeça da filha capaz não apenas de ver o que a filha vê como também bloquear possíveis “coisas negativas e nocivas”, bate aquela sensação clássica após o plot point :

“Cremdioxpai, não quero estar vivo pra vivenciar isso!”

E depois a sua consciência já te avisa:

“- Já tá rolando, binho. Foge não.”

Pensei no Instagram Stories – que eu demorei MUITO tempo pra usar porque a versão do meu telefone era incompatível com esse serviço. Ali não é um jeito de viver o dia inteiro da vida de outra pessoa? E com direito a interferir naquele dia a dia opinando nas enquetes e comentando que vida você quer ver daquela pessoa hoje ou amanhã. #medo

O livro do coreano é fininho mas intenso. Prova disso é que não cheguei nem no meio. Uma das máximas do cara, e que está relacionada diretamente com nosso grau de exposição nas redes, é a de que na era da sociedade positiva tudo se mensura pelo seu valor expositivo. Quanto mais transparente a superfície for menos conflito e necessidade de argumentação. Nessa sociedade as coisas não desaparecem na escuridão mas na superexposição. Não há espaço para a negatividade porque ela pode gerar debate e o debate “atrasa” a comunicação.

Não tem espaço pra densidade, ainda que o que esteja em jogo seja a nossa consciência. É pegar ou largar.

Eu não peguei mas também não larguei. Talvez porque um dos meus objetos de pesquisa – os memes –  estão em plena manifestação nas redes sociais digitais, que por sua vez se encoram nas tecnologias que cada vez mais abandonam os “black mirrors” dos telefones e computadores para se implantarem em nosso físico (Black Mirror já cantou essa pedra no The Entire History of You).

Mesmo pendurado (nem pegado, nem largado) eu sinto um tiquin da minha morte “virtual”. Por escolher me manifestar cada vez menos, quando escolho em algum momento me dizer qualquer coisa os algoritmos me expõe pra quase ninguém ouvir. Alcancei a vitória de não estar mais em quase nenhum grupo de ~zap~, ao mesmo tempo já não ouço mais ninguém por lá… ou ouço os que podem falar comigo cara a cara.

Se eu quero viver através de outro alguém. Nem antes, nem agora.

Se essa vida tá chegando cada vez mais perto… you better bet!

 

 

é sim que eu sei

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O texto que tava na ponta do enter pra publicar era um reflexão de ano novo estimulada por uma frase ouvida por um youtuber com indicações depressivas e cada vez mais suicidas. O texto tava longo e até muito revelador em tempos que tenho preferido cada vez mais poupar minha vida dos holofotes das internetes.

Preferi falar rapidin de AMOR. Uma coisa que muita gente acredita nunca poder experimentar plenamente ou, que se existe, vai atirar em alguém que não é você.

No caso, eu já sei o que é e, se for ainda maior do que eu já pude experimentar será mais louco ainda. Amor é sem dúvida a coisa que tirou meus olhos da tristeza de dois anos cheios de coisas ruins e aponta pra um futuro que eu não sinto nem o cheiro bom mas que me traz um conforto no coração.

Sem planos, sem páginas e páginas de rabiscos em planners, só desejo que quem me lê experimente ainda mais do amor no novo ano e que este seja um bom combustível pra encher de energia os nossos sonhos e projetos.

coisa pouca não é bobagem

penso eu…

O fim do amor está nas coisas pequenas, sim.

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De repente você tenta enxergar quem um dia já foi o alvo dos seus olhos mais brilhantes mas, a montanha de miudezas acumuladas ao seu redor até o topo da cabeça, mesmo ciente  de seus graus de desimportância, entrega a carta que anuncia o fim que já aconteceu.

Tô falando de acúmulos. Não é que o amor não resiste a uma louça suja na pia ou a falta de um ‘bom dia’… não é isso. Alguns podem até pôr fim ao amor ao primeiro sinal de irritação. Tá no direito.

Tô falando daquilo que não saiu antes de uma faxina que levanta tudo do chão. Ou daquilo que poderia ser lavado assim que manchou. Era até mais rápido de recuperar… eu acho.

Coisa grande ocupa espaço e a gente dá logo um jeito de resolver. Ninguém quer um elefante fazendo malabares na sala de jantar. Nessas horas vale o tudo ou nada. O amor tá sempre no tudo ou nada… meio termo não é amor, é outra coisa.

Coisa grande a gente tira logo, tirando aquelas pessoas que fazem questão de não apenas mantê-la se agigantando (porque coisa grande só aumenta) como quebram as paredes pros limites alcançarem o público. Daí tá grande mesmo, quando o fim do amor tá na boca do povo e por uma ação de deliberada de promoção da situação desgraçada. Nessas horas eu não dou like nem carinha chorando. Tenho dó.

Coisa pequena vai entrando todo dia, tipo notificação de aniversário do feicestrago. Assim como  a poeira a gente deixa pra resolver quando já tiver um volume mas é sempre tão custoso brigar por coisa pequena.

Pior ainda é o esforço de, ao notar que o amor já foi, reconhecer e resolver cada grãozinho de coisa pequena que foi entrando e entalando o tubo do amor. A gente sabe que foi coisa pouca mas a gente não tem mais pique  pra acreditar que dá pra limpar canto por canto.

O amor não resiste a coisa pouca quando é tanta coisa pouca.

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Quem vai dizer tchau | Nando Reis

Mestre das diretas

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Terminei de ver Atypical, comédia drámática da Netflix centrada num adolescente autista e as questões que estão atreladas à sua vida (escola, família, relacionamentos etc).

Pessoalmente só me lembro de conhecer um cara com autismo e só recentemente disse que já tem até protagonista autista na Malhação (e a garota em questão nem de longe preenche o perfil tradicional de pessoas nesta condição).

Não foi uma experiência fantástica nem alguma coisa que me rendesse muito blablabla aqui no Babalu mas, uma coisa que me chamou muito atenção na série, bem própria dos autistas e muito útil para a vida de qualquer um é a importância de tentar se expressar de um jeito que se faça compreensível.

Pelo que entendi na série, pessoas com autismo têm dificuldade de entender entrelinhas. Se você jogar com sarcasmo, ironia, dizer com a boca uma coisa e com o corpo e com o corpo outra… eles entendem o que está ao pé da letra. E por não terem um termômetro do que se pode e não se pode dizer (na convenção social) a verdade/sinceridade é a prática mor dos caras.

Um exemplo disso é a maneira como o Sam (protagonista da série)  surpreende seus pais, irmã, colegas de escola e trabalho nos momentos mais improváveis falando de masturbação ou de como está o progresso no plano de perder a virgindade a partir de uma lista indicada por um amigo de “passos” até o sexo (pegar na mão, ver peitos, pegar nas partes e agasalhar o croquete – a lista usa essas palavras, tá). Tudo muito cartesiano, claro… sem enrolação.

Claro que a gente não pode jogar desse jeito com a nossa vida ou destruiríamos todas as nossas relações mas quantas vezes empacamos nossa vida com alguém – seja quem for – porque sobra tudo MENOS transparência.

Eu acho um charme entrelinhas e mestre do sarcasmo mas existem pessoas não-autistas que também falam essa língua do não dito e podem entender exatamente o que a nossa boca diz. Daí a merda tá feita.